

Neste Cabinet de Curiosités, a escultura respira como organismo: assemblages de moldes, detritos e matéria natural entrelaçam‑se em corpos que oscilam entre o microscópico e o cósmico. Cada peça é um corpo refeito, onde fragmentos descartados recuperam pulso — veias de resíduo que desenham órbitas, superfícies que dobram a luz e convocam o olhar para dentro da matéria. Aqui, a memória metamorfoseia‑se: costuras e camadas revelam histórias antigas e futuros possíveis, e a escultura torna‑se lugar onde corpo, espaço e matéria se reinventam.

Wild Letter
A obra propõe uma cartografia sensível do espaço e da memória, onde formas orgânicas emergem como vestígios de um tempo em suspensão. Através da sobreposição de camadas, gestos repetidos e variações cromáticas, a artista convoca o conceito de poiesis — entendido como criação em fluxo — para explorar a relação entre o humano e o natural.

War and Peace
A metáfora central do título, "guerra e paz", reflete não apenas os eventos históricos, mas também os conflitos internos e as buscas pelo equilíbrio na vida quotidiana.
Tolstói utiliza a guerra como uma metáfora para os desafios e as transformações que moldam os indivíduos e a sociedade, enquanto a paz simboliza os momentos de introspecção, conexão e crescimento. Essa dualidade permeia toda a obra, destacando a complexidade da condição humana e a interdependência entre caos e ordem.

Wind Music
A escultura propõe uma escuta expandida do ambiente, onde o som não é apenas resultado, mas parte do próprio gesto escultórico. Inspirada em instrumentos que se deixam tocar pelo vento — como os chimes, flautas de bambu e flautas de Pã —, a obra transforma o espaço expositivo num campo sensível, onde o ar se torna intérprete.
Orquestra dos Ventos evoca o conceito de poiesis, entendido como criação em diálogo com o mundo natural. Aqui, o vento não é apenas força invisível, mas agente criador, compositor efémero de melodias que variam com o tempo, a temperatura e o silêncio. A escultura convida à contemplação e à escuta, revelando a música que habita o invisível.

The Blue Chair
Esta escultura presta homenagem ao legado de Yves Klein, evocando o seu emblemático International Klein Blue como matéria e conceito. Mais do que uma cor, o azul aqui é tratado como espaço sensível — uma superfície de imaterialidade onde o olhar se dissolve e o corpo é convidado à contemplação.
A obra dialoga com a ideia de transcendência espiritual e de infinito que Klein associava ao azul, propondo uma experiência visual que ultrapassa o objeto. A forma, contida e silenciosa, torna-se veículo para o absoluto, numa poética da presença que se afirma pela ausência de figura e pela intensidade cromática.

Winged Victory
A presente obra inscreve-se numa investigação plástica que interroga os limites da pintura enquanto medium e enquanto objeto. O artista convoca o movimento do vento sobre tecidos como metáfora visual e cinética, explorando a fluidez das formas e a instabilidade da matéria. A tela, tradicionalmente concebida como superfície estável e bidimensional, é aqui submetida a processos de movimento, costura e sobreposição, tornando-se um campo expandido de ação e significação.

Instrumentos de vento
A interação entre o vento e estas esculturas criadas com gesso cria uma narrativa visual que conecta o espectador à energia do momento.